Pati e Dani estavam na rampa da garagem, que perfila o terreno da casa, disposta no alto de um pequeno morro na Casa da Lua. O que a Pati estava fazendo lá, não estava na Alemanha? E o que eu tenho a falar pra ela? Bem, não tinha mais ninguém conhecido na festa, só você e o Bernardo, que não me viam - ou não queriam. Passei três vezes na frente de vocês, nada. Ele estava triste, tinha acabado de enterrar a mãe. Você estava triste. E eu, idem. Mas vocês se entenderam. Você, que era Marissa, e Bernardo. Beijaram-se lindamente e um sorriso torto saiu da cara de bobo dele.
Sorte a de vocês. Deixaram a casa um minuto antes de um terremoto inédito pô-la abaixo. Perdi vários amigos para os escombros, e senti falta deles, embora não tenham me dado bola a noite toda. Sozinho, sobre as pedras disformes, permaneci. Sozinho.
[e pelo visto ecoamos juntos no Sonhar]
Enter: Sandman
sexta-feira, 27 de junho de 2008
terremoto lunar
quinta-feira, 26 de junho de 2008
porcos tristes
Legal. Fui fazer um teste mandado pela Sabrina em que tinha que desenhar um porco e, à medida que respondia as perguntas, sempre relativizava os tamanhos. Pô, orelha grande pra um porco? Ou orelha grande em relação à minha? Ou ao desenho. Aí o desenho falou de mim:
- Sou realista, direto, gosto de bancar o advogado do diabo, não temo ou evito discussões, puro, emotivo, inseguro (ou passando por uma fase de transição). Além disso, sou um bom ouvinte e minha vida sexual é uma merda.
Quer desenhar seu porco e saber desse animal quem é você? Vaza
terça-feira, 24 de junho de 2008
coincidências
De pé no ônibus escuto o novo do Serj Tankian, vocal do System of a Down, banda mundialmente conhecida como Sistema Feudal. Ao meu lado, o clone do cara, claro que com algumas licenças poéticas, já que ele era baiano e não semi-armênio. Mas era quase igual, apenas mais, sei lá, apresentável.
Depois escuto "Mamma I'm Coming Home" chegando em casa. É, o shuffle do iPod faz coisas incríveis antes de você quase ser assaltado. Já escutei "Tora-Tora" em frente a uma serralheria, "Roots Bloody Roots" no meio do mato, "Scar Tissue" na restinga... (tá, nessas vezes eu nem cheguei perto de quase ser assaltado)
Em tempo: por melhores que sejam as músicas, por que fazer a mesma coisa que já faz, apenas com um nome diferente?
domingo, 22 de junho de 2008
prólogo
“Quando é o próximo feriado?”, perguntou o Marcelo, já receoso. “Só em novembro”, respondi. “Ah, mas em setembro tem o aniversário da cidade”, interceptou o gordo.
“É?”
“Sim, Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre da Paraíba Nova, lembra? Era o cabeçalho da Gazeta.”
Dez anos e eles ainda lembram. Vamos ao começo de tudo.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
eu sempre quis morar...
... no Jardim Bizarro. Só não sabia que ele existia. Fica em Jundiaí e jorra sangue da torneira. Tive que ler e reler três vezes, com a Bohemia quente na mão, pra acreditar que não era notícia de 1º de abril. Bizaaaarro!!
E isso me faz lembrar que tenho uma história pra contar. Outra dia começo.
terça-feira, 17 de junho de 2008
vaso oco
"Assim, até McCain deve ter dito para si mesmo: 'Eu poderia ser presidente. Poderia ser um presidente muito melhor que George Bush jamais sonhou em ser. Ao passo que, se eu apoiar Kerry e este perder, eu também estou perdido - vou ser uma ovelha negra para o meu próprio partido. E, se Kerry vencer, serei um vice-presidente sem força alguma, durante o mandato inteiro. Por outro lado, se eu apoiar Bush e ele vencer, daqui a quatro anos eu serei a opção mais lógica como candidato republicano. Na verdade, quer Bush ganhe ou perca, sou eu quem tem as maiores chances de ser o candidato republicano em 2008'. "
(...)
Sim, McCain poderia decidir: 'Tenho de cerrar os dentes e agüentar firme, e trabalhar para um homem que eu realmente desprezo. Mas é necessário. A América precisa disso'. No momento em que um político diz para si mesmo: 'A América precisa disso", ele pode pode mudar a direção do vento nos corredores do seu próprio cérebro."
Norman Mailer, em conversa-entrevista com seu filho John Buffalo Mailer na época das eleições americanas de 2004. Publicado em O Grande Vazio
sexta-feira, 13 de junho de 2008
não foi dessa vez
Quinta, 12 de junho de 2008, 11h46 Atualizada às 11h47
O mundo vai acabar hoje, diz líder de seita nos EUA
O mundo vai acabar na noite desta quinta-feira, de acordo com o líder da seita americana The House of Yahweh, um grupo que pratica a poligamia e insiste para que todos troquem seus nomes para Hawkins. Segundo Yisrayl Hawkins, um holocausto nuclear começará neste dia 12 de junho.
De acordo com o site Metro, os procedimentos para se tornar um membro da seita são simples: ir até o Estado americano do Texas, trocar o nome para Hawkins, concordar com as regras de culto e casar com Yisrayl. Se você for homem, não é necessário casar com o líder, apenas concordar com ele.
Quem acredita na seita ignora o fato de que Yisrayl Hawkins já fez várias previsões para o fim do mundo antes. Ao responder críticas direcionadas a sua seita maluca, o senhor Hawkins diz que "não controla a mente dos membros como um bruxo, como todos falam, apenas tem alguns poderes sobre eles".
* *
Para o Rodolfo, que mandou essa praga congelada, ainda temos sol, céu e George Foreman Grill. E isso nos basta.
"Isso nos basta." Essa frase ainda ecoa, por outros motivos. Mas vida está aí e o mundo ainda não acabou. Só por isso, queria abraçar uma nuvem.
quarta-feira, 11 de junho de 2008
a verdadeira face do mito cangaceiro
Essa bem que poderia ser a mais nova chamada de capa de Aventuras na História. Bem, não sei como PH (ai, essa coisa se siglas jornalísticas...) irá escrever, mas a imagem de capa já está pronta.
Finalmente reconheceram meu talento artístico de modelo fotográfico. E viva o Nordeste!
terça-feira, 3 de junho de 2008
sábado, 17 de maio de 2008
longe
Peguei no Cala a Boca, Bárbara, que pegou do Credencial Tosca. Gravar fita era diversão para mim entre os 13 e os 18. Colava as faixas, sincronizava batidas, me esforçava pra deixar a audição fluida, candente, começando com agitadas, relaxando o ritmo até o clímax. Um DJ pra mim mesmo. Do mesmo jeito que as Copas do Mundo de futebol de botão dos 8 aos 10. Todas as nações do Almanaque Abril no meu campo de madeirite com botões acrílicos de times paulistas e cariocas. Eu contra eu mesmo. É, me dava bem sozinho.
[pratiquefica]
Fui-me.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
ié
"Sleep now in the Fire" é a melhor música do Rage Against the Machine.
Não gostou? Xinga
ex vazio
" 'É como um balão. Estava tudo dentro dele, perfeito, coeso. Mas de repente começou a esvaziar, perder sentido.'
É."
quarta-feira, 7 de maio de 2008
o mundo é muito maior que São Paulo
Mas às vezes isso não é tão bom assim. No Ceará, 800 terremotos desde janeiro
Mesmo assim, o mundo pode caber dentro do Brasil. Afinal, cada país tem o Fritzl que merece
Ou dois
top 5 melhores shows da minha vida
Já se vão mais de 10 anos desde fiz minha primeira "balada", véspera de uma prova de História em que tirei a melhor nota da sala pela primeira vez em anos (aí eu descobri que cerveja faz bem pra tudo, mas isso é outro assunto). Foi um show dos Titãs, acústico, no Teatro da Aman, o auto-proclamado "um dos melhores palcos do interior do Brasil". Depois disso, foi um vendaval de cada coisa...
Ivete Sangalo, Kiss, Rio Negro & Solimões, Yamandú Costa, Daniel, Supla, Velhas Virgens, Eric Clapton, Negritude Jr. Sepultura, Zezé di Camargo & Luciano, Franz Ferdinand, Kelly Key, TV on the Radio, Felipe Dylon, Zeca Pagodinho, The Killers, Charlie Brown Jr., O Rappa, CPM 22, Skazi, Yeah Yeah Yeahs, Korn, Void, DJ Marlboro, Ozzy Osbourne, Hellacopters, Bartucada, Winton Marsalis, Rammstein, Björk, Basement Jaxx, Silverchair, Capital Inicial, Radio 4, Arctic Monkeys, Rapazzola, Babado Novo, Black Label Society, Crystal Method, Fábio Jr...
É, crescer no interior e querer ter muitos amigos dá nisso.
Mas os cinco melhores foram estes:
5 | Prodigy, Skol Beats SP, maio 2006: Sorte. Enquanto um arrastão triturava pessoas, bolsas, sapatos e tudo mais para tentar ver de perto as aberrações cyberpunks, eu estava ali, numa boa, dentro de uma bolha de vácuo de gente, com espaço de sobra para dançar, pular e berrar. Soco no coração, devidamente em ritmo superacelerado.
4 | Deep Purple, Pacaembu, setembro 2003: Um bizarro show de rock pesado em estádio com cadeiras e lugares marcados. Não deu outra, chuva de cadeiras e pancadaria. Depois de algumas patéticas rodinhas de socos falsos e pontapés no ar (sério, roda de metaleiro é o Telecatch da vida social), resolvi ver o show pra valer. De pé, em cima das cadeiras, na mesma altura do Ian Gillan, que quase não desafinou e comandou um espetáculo memorável com Perfect Strangers e Smoke on the Water.
3 | Red Hot Chili Peppers, Pacaembu, outubro 2002: Calor, muvuca, Flea plantando bananeira e um show afinado, diferente do que eu tinha visto no Rock in Rio. De tirar o fôlego.
2 | Daft Punk, Tim Festival SP, outubro 2006: Banda - ou, no caso, dupra - boa tem que surpreender ao vivo. Nem era fã, mas depois de experimentar, sóbrio, a melhor viagem de luzes estroboscópicas, cores primárias, animações primais, graves poderosos, robóticos refrões e todo o carisma de dois esquisitos capacetes pretos, eu tive até que comprar CD (a maior prova de fã pra quem foi educado com o Naspter entre uma lição de Química e outra). E o melhor: show de grátis.
1 | Pearl Jam, Pacaembu, dezembro 2005 (o segundo show) : show bom não acontece só na arena. É preciso um contexto. E eu tinha. Livre da faculdade, TCC bunito, Timão campeão brasileiro, aprovado no Curso Abril. E um baita show com um Eddie Vedder bêbado se esforçando no português, set list nota 9,5 e clima de ano novo natalino.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
teorias da conspiração
Acredite em qual você quiser. Algumas estão aqui.
O mundo já acabou e esqueceram de apertar o botão do Apocalipse.
Ulça está longe.
