Remédios são, em 90% das vezes, dispensáveis. Sua cama, uma xícara de chá, sopa de legumes e água curam quase tudo. Se o problema insistir, saia e tome algumas latas de cerveja. Não é à toa que desde os brindes vikings exalta-se a saúde ao bater canecas.
Pense a respeito.
terça-feira, 8 de abril de 2008
sobre saúde
exçentricus suceçus
Com 7 anos eu descobri que a cortina bege que às vezes aparecia no meu olho era, na verdade, minha própria pálpebra. Já era tarde, meu cérebro se acostumou a usar mais um olho que o outro, o que, se atrapalha um pouco a periférica e a bolinha de tênis a caminho (ou seria isso desculpa?), nunca me impediu de ter uma visão considerada perfeita - embora eu seja praticamente cego de um olho.
Com 13 anos me enrolaram com um papo de "dentição do futuro", dizendo que o fato de eu ter nascido sem os pré-molares era uma tendência do homem. E uma tendência num sentido mais antropomórfico/biológico do que fashion.
Tenho mais medo de sapo do que de cobra. Cara e nome de gringo falsificado, mas até meus bisavós eram quase todos brasileiros. Não sei nem reconhecer os naipes de um baralho. Ainda acredito nas pessoas.
Agora vêm me dizer que vão fazer um osso nascer na minha boca. Sim, um pó que cresce, se solidifica, e vira osso. Fermento de cemitério. Pirlimpimpim de esqueleto. Do pó vim, ao pó voltarei, mas, antes disso, do pó me brotará um estepe.
Sim, sou excêntrico. E minha felicidade se chama Diferente.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
mad man metal
A Mad está de volta, mais uma vez. Eu me lembro de um sarro que eles tiraram do heavy metal, quando andava na escola de jeans rasgado e com pregos enferrujados saindo de um Nike carcomido por silvertape derretida. Fiquei puto, claro, me levava a sério demais naquela época. Como assim, Alfred E. Newman tirando uma do deus Metal?
Sábado, o estádio dos porcos lotado de headbangers ortodoxos, discípulos do nü metal e um ou outro estranho no ninho com camisas floridas. Clima de paz, cerveja com preço de país em guerra, caixas de som no talo para ouvir Black Label Society, Korn e o o maior astro da história da MTV, ex-inimigo número 1 da sociedade e gravador de CDs demoníacos (não demo, esse é o Marcelo Rossi) Ozzy Osbourne.
E aquela antiga piada da Mad me veio à cabeça entre um solo interminável, um fuck it fuck that e 40 mil cabeças sacolejando. Soava tão atual quando eu percebi algumas coisas:
- Metaleiro que é metaleiro tem mais guitarras do que mulheres no currículo. Zack Wylde solando com a língua em uma das tantas guitarras que ostentou no palco que o diga. Haja gemidos elétricos. No caso de metaleiros fãs, não astros, como Wylde, a premissa é a mesma: mais guitarras do que mulheres.
- Homem e minhoca têm códigos genéticos bastante parecidos. Assim como raves e shows de metal. A essência é a mesma - patadas no chão, adrenalina, guitarra pesada, músculos contraídos. O resultado é no mínimo diferente, para dizer pouco.
- Rodinhas de socos falsos e chutes ao léu são patéticas. Dá vontade de soltar esses caras num baile funk de verdade e ver no que dá. Isso sim é diversão.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
músicas perdidas no iPod
Um brinde ao Aleatorio Canciones! Descobri que tinha essas músicas meses depois de baixar. Ireço!
5 | The Vines :: Amnesia Praia com teto branco
4 | Vive la Fête :: Jaloux Incêndio na cozinha
3 | Oasis :: Columbia Sorriso maroto
2 | Fischerspooner :: A Kick in the Teeth Fogos de artifício
em câmera lenta
1 | The Dandy Warhols :: Heroin is so Passe Seu sopro na
minha cara
quinta-feira, 3 de abril de 2008
caverna do mario kart
Era uma corrida maluca, com ícones da Fórmula 1 e um cenário de videogame. Eu no meio de desconhecidos. Gênios ao meu lado. Na curva X, na volta Y, resolvi imitar um grande ás brasileiro e ignorar a física, abandonando o asfalto e me jogando no infinito verde de um gramado de pixels. Saltei um morrinho, meu carro ficou destruído e parei ao lado dos restos do veículo de Alain Prost, que me disse que a manobra não era tão legal assim quanto parecia:
- Essa grama é mais bonita do lado de fora da TV. Mas pelo menos ela não coça.
Com o carro inutilizado, voltei a pé para a pista. Mas a pista não chegava. Era um mar verde e liso, um deserto gramíneo, solitário de tão bonito. A terra podia parecer imóvel, mas o céu não parou. Anoiteceu. Não tive opção a não ser buscar abrigo em uma pequena caverna, onde caberia somente um caldeirão grande de bruxa ou um carro para duas pessoas. De manhã, ao tentar sair, vi que tinha a companhia de um simpático rottweiller, mas, do outro lado, na luz inplacável que vinha de fora, um desconhecido, mesmo que involuntariamente, me impediu de entrar. O cachorro dele era tão grande que possivelmente era primo do Cérbero - mas com apenas uma cabeça.
E esse gigantesco cão quiçá mitológico latia e babava e uivava. Não tinha como sair. Só depois de um tempo que ele saltou sobre as minhas costas e me impediu de sair, exigindo carinhos e afagos sem parar. Fiquei o dia todo abraçado com aquele cachorro maior que um urso até que anoiteceu novamente. Ratos, alguns fofos, outros não, apareciam para me importunar. Chutar era solução, e eles sumiam como surgiam, caindo no fundo da tela desse meu sonho de videogame.
Quando finalmente deixei a caverna, cheguei a uma praia, onde encontrei meu irmão, distante, talvez dopado, incapaz de esboçar alguma vida, um relampejo de felicidade.
- Quando eu venho para essa lado da baía corto caminho por lá para voltar para casa - disse me apontando um cais que eu não tinha visto. Mas, em seguida, ele me surpreendeu:
- Como você está vivo?
- Já queriam me matar, é?
- Bem, já faz 10 anos que você sumiu. As pessoas se acostumaram com a idéia, tocaram suas vidas, estão felizes. Agora vai ser complicado você voltar, assim.
teste de audiência
Mulher Melancia bombou de leve. Vamos ver quantos otários eu pego com fotos da Juliana BBB, a gata do Big Brother, pelada na VIP gostosa linda.
Entrou aqui? Tenta de novo aqui
* * *
11 milhões de pageviews no primeiro mês. internet é só sexo mesmo.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
pelo direito ao isolamento próximo
Se estou andando com fones de ouvidos, assim mesmo, no plural, porque é um em cada orelha, impedindo a entrada de sons e, principalmente, barulhos externos, é porque não quero ser importunado. Caminho na Paulista, entre gravatas roxas e exageros adiposos exibindo-se despudoradamente, com minha música de bolso, justamente para não ser perturbado pelos já velhos conhecidos carecas de rosa do rarecríxina ou divulgadores da arte esquecida do teatro amador. Por que a lei Cidade Limpa não os levou também?
E aí me vem o companheiro me cutucar:
- (............................................)
NO MORE TEARS_TEARS_TEARS... (sim, é semana de Ozzy!)
- (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)
NO MORE TEARS_TEARS_TEARS... (e de Korn. Minhas camisetas de metaleiro vão sair do mofo)
-... Evento na Paulista, este sábado.
- Desculpa, evento do quê?
- As Favelas Reunidas vão organizar uma manifestação.
- Sim...
- Neste sábado.
- Tá, mas.... E daí?
- Ah, vocês está com pressa, né? Vai lá.
Me deu dois tapinhas nas costas, um de semiperplexidade, outro de comiseração. Afinal, era só mais um apressado na Paulista alienado em seu toca-música.
segunda-feira, 31 de março de 2008
designers de suceço

Está no sangue. Mas, no caso, creio que não. Estes são holandeses, o gene é da cerveja melhor, de Gent e Bruxelles. Se alguém me pagar a árvore genealógica de DNA, posso confirmar...
Do Designmuseum.org:
Through cultural commissions and public sector projects - from stamps to urban identities - Armand Mevis (1963-) and Linda Van Deursen (1961-) of MEVIS + VAN DEURSEN have played a critical role in modernising Dutch graphic design and redefining it as a dynamic medium.
Both as designers and as teachers Armand Mevis and Linda van Deursen are influential figures in the dynamic Dutch graphic design scene. After meeting as students at the Gerrit Rietveld Academy in Amsterdam during the 1980s, they worked as interns at Total Design before opening their own studio in Amsterdam.
Operating from a small studio with just two assistants Mevis and van Deursen have combined cultural commissions from the Stedelijk Museum of Modern Art and the Netherlands Architecture Institute with projects for the fashion designers Viktor & Rolf. The catalogues they have created for artists such as Mechac Gaba, Carlos Amorales and Gabriel Orozco are projects in their own right rather than simply representations of the work.
Mevis, born in 1963, teaches at the Werkplaats Typographie in Arnhem while van Deursen, born in 1961, is head of the graphic design department at the Gerrit Rietveld Academy. They act as mentors to younger Dutch graphic designers such as Maureen Mooren and Daniel van der Velden, Jop van Bennekom and Experimental Jetset.
Designers, conheçam o casal aqui
Ah, e quem os descobriu foi a Fabi
amor nos tempos da dengue
* Sérgio Cabral já disse que a Constituição de 34 é de 32, que Churchill criou o Eixo democrático, que Getúlio se matou com um teco na cabeça. Agora, chamou a Dilma de presidente. E a bactéria transmissora da dengue, se prolifera pelo ar ou pega com abraço?
* Carla Bruni pôs o Reino Unido de joelhos, foi comparada até à princesa Diana (sendo que é muito mais bonita do que lady Di) e mostrou que Sarkozy - o que foi eleito prometendo dinheiro a imigrantes que vazassem da França - é o maior estadista da Europa, seguido de perto pelo bufão do Berlusconi.
Mas a mosca nessa sopa deliciosa a tiracolo do francês esquisito é o que Bruni revela ao jogar o cabelo para trás. L'Amour, que zoreba...
Porém, no fundo, quem liga? Mulheres assim, lindas e chiques sem se esforçar, estão cada vez mais raras. Deve ser o aquecimento global e o YouTube que vulgarizaram o mundo.
segunda-feira, 24 de março de 2008
digressão
A felicidade é uma sensação?
E aqui estou tendo que responder essa pergunta. A felicidade é uma sensação? Não sei. Sei que é humanamente impossível não esboçar um mínimo sorriso com essa cena. Quem está feliz se vê dançando na calçada. Quem está feliz e é realista se vê dançando em meio a lixo boiando, sem ligar para a ameaça de enchente. Quem está feliz e sabe rir de si mesmo se vê dançando e imagina como ficar em pé com tantas estripulias e tanta tanta água. Difícil, então você cai, ri, levanta e, na primeira pirueta do guarda-chuva, espatifa um vaso. Quem está melancólico quer se inspirar e resgatar aquele velho sorriso automático, sem esforço. Quem vive dentro de uma concha e assiste a isso quer sair, pular sem medo. Quem tem a frieza de um atirador de elite, a rigidez do marechal prussiano, o equilíbrio laranja de um lama, certamente esboça uma sensaçãozinha, por mais que seja somente naquele instante mínimo e quase invisível que eles têm para ser só eles. Felicidade é sensação única porque cada um a manifesta e absorve de um jeito.
Estava chovendo meia hora atrás. Tinha cara de chuva feliz. Tinha consistência e volume certos – nada da garoa insossa que não molha mas deixa resfriado, muito menos de uma tromba d’água vertical. A chuva parou, voltei para a sala de aula. No caminho para casa, outra coincidência: o iPod cantarola Raul Seixas: “Eu perdi o meu medo, meu medo, meu medo da chuva”.
diálogo em 10 falas
– Eu demorei para entender que a Glenda me ligou domingo à tarde para eu “pôr imediatamente no Faustão e ver aquele pagodeiro, o Neto” – comentou a Bárbara no tom a que todos já estávamos acostumados: aquele que trazia embutido nos seus muitos decibéis “escutem-me, estou falando!”
– Neto?
– É a Glenda, né, Felipe? Ela queria falar Belo, o que estava preso. Mas na verdade era o Rodriguinho.
– WOW. O pagode não cansa de nos surpreender. E como ele está?
– Bicho, o cara fez uma tatuagem de colar – respondeu Gabriel com seu sotaque raro de capixaba naquele restaurante barulhento como obra de metrô sobre o solo.
– Como assim “de colar”? – engasguei com a massa recheada com muito frango e pouco damasco ao perguntar. – Ele tatuou um cordão no pescoço!?
– Não. Rapaz, uma tatuagem de colar, tipo henna, sacou?
– ...
– Rá! Nossa, essa foi demais. Estou me superando em piadas infames.
– Ô. Ri tanto dessa quanto daquela de ontem, quando você disse que estava “morrendo de rim” – desdenhou a Bárbara, que parecia alheia à conversa – algo quase impossível.
A Glenda, que deu início à conversa e desde então olhava da comida para o teto, do teto para o pátio, não agüentou os olhares que esperavam algum comentário, apontou para a própria cabeça e disparou:
– Ah, vocês são muito sem graça. Meu mundo é bem mais divertido!
sexta-feira, 21 de março de 2008
quinta-feira, 20 de março de 2008
no princípio era o S
Eu já fui um fraco, assim como você. Mas isso já faz tempo, muito tempo. Me veio à cabeça agora o episódio em que comecei a forjar meu estilo de vida. Ainda estava na escola. Uma professora que em outros idos fora deveras bonita - algo como uma violeta de ontem - tentava nos ensinar por que algumas palavras em Português têm dois Ss ou dois Rs. O exemplo que a dona Etimológica usou foi sucesso.
Alguns anos mais tarde percebi que essa palavra era semanticamente uma fraude. Mas isso era a época rebelde entre o primeiro beijo e o milésimo. Ela não era um lapso da língua, apenas a sua característica atrelada aos Ss imbuía no mundo dos homens algo indissolúvel. Afinal, essa história de precisar de duas letras juntas, repetidas, para formar um mesmo som não é questão de amizade, fraternidade, altruísmo ou compaixão. Isso se chama insegurança. E é por isso que hoje existem estas duas palavras, homônimas, porém não-sinônimas: sucesso e suceço.
Deixei o sucesso àqueles inseguros que se perguntam onde estão na vida, aos infelizes que esvaziam os bolsos em um divã em troca de frases montadas para acalentar sua existência pelos próximos 15 dias, aos tolos que crêem que prestar serviço à comunidade serve, no íntimo, como um mea culpa social. Aos jovens que buscam incessantemente preencher currículos para aumentar carteiras. E encolhê-las, sem saber por que motivo, ao perder o tempo único que têm na vida se lamuriando: "oh, céus, sou tão infeliz! Sou bem-sucedida, tenho carro (!), meus remédios me mantém inteirona (!!), por que minha vida é um saco?" Esse é o tipo de gente que se empanturra de doce e depois se mata na academia...
Eu não sou assim. Sei onde piso, enfrento problemas, assumo erros, aguento esperar. Ter um bom emprego, ser cercado de amigos, ler, estudar, refinar o gosto, tudo isso é uma evolução básica e linear a que a maioria têm acesso. Estar seguro de si, saber que vai dar tudo certo sempre, é um exercício constante.
De vez em quando eu tomo chá com dona Etimológica. Quando o fantasma tremulante da insegurança ameaça me assustar, basta um malte e um álbum de fotos para eu rir da cara dele. Cada pequeno sucesso da vida é o que compõe a felicidade. É por isso que digo: eu sou um suceço.
Rio de Janeiro, abril 2005
* * *
Você é feliz? Fale comigo
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Tanto que inspirei um novo blogue, feito por gente talentosa e segura, galera Ulça - sem essa de ser do bem porque isso é muito mala. O melhor do pior e o pior do melhor do que rola nos virais 2.0, a evolução da piada de imeio!
quarta-feira, 19 de março de 2008
pitacos
- Angela Merkel diz em Israel que o Holocausto enche a Alemanha de vergonha. Boa. Agora, quando João Paulo II pediu perdão pela Inquisição, ele foi repudiado. Amém?
- Um garoto de 12 dirigir virou escândalo. Em Resende, terra de ninguém, e em várias outras localidades do Brasilzão isso era quase normal. Eu aprendi a dirigir com 11 anos. E dirigir, assim como os alunos da Unicsul, a gente aprende na prática.
- Moby é tão politicamente correto que na página de cadastro em que ele disponibiza 80 músicas gratuitamente para ser usadas em filmes independentes o território-treta da Abkházia, na Geórgia, é um país soberano. Tem revista grande que chamou ele de chato. Se o Huck defendesse a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul, ele seria chato. Mas o DJ-produtor-carequinha-vegan, não.
guia do estudante
O professor de biologia perguntou na classe:
- Rapaziada, o que vocês querem ser quando tiverem impostos?
- Astronauta - respondi, sem titubear e, claro, sem nunca ter ouvido falar de Marcos Pontes.
Não vejo mais tanta graça assim no céu, no sentido físico, astronômico etcetera e tal. Se o Marquinho Paluma, com aquela cara de Jamiroquai só dele, me questionasse hoje, 9 anos depois e eu já ter digerido e regurgitado cursinho, vestibulares, listas de espera, faculdade, exames, pro-ces-sos se-le-ti-vos, responderia:
- Eu queria ser ombudsman do mundo.

