terça-feira, 18 de março de 2008

sonho bizarro do dia

O forte vinagre caseiro espirrou direto no olho esquerdo dele, provocando lágrimas e risadas nada contraditórias. Pouco depois, sem chave, celular, música, dinheiro ou livro, ficou trancado quatro horas para fora de casa. A primeira vez que isso acontece sem que ele estivesse sob efeito do álcool - e, por isso mesmo, não teve a menor graça. Ou dormia em sua praça privada e exclusiva, sob uma improvável palmeira e ao tão-improvável-quanto relento de março, ou se estirava no granito preto e gélido do corredor, para turbinar a febre iminente.

Tédio, escuridão e silêncio são ideais para levar seus pensamentos ao círculo mais profundo e mesquinho da imaginação. O medo alimenta a insegurança que pulsa a inveja que corrói o amor que perde aderência, cai, despenca e desaparece no eco. O vazio abraça como gelo no dente.

Abre os olhos.

Dorme. Um concurso organizado por um museu da cidade propõe novas representações gráficas para os números, tendo como base conceitos filosóficos, não aritméticos. Ou seja, nada de um sol, dois irmãos, três profetas, quatro estações, cinco dedos, seis amigos, sete pecados. Muito menos one little two litlle three little indians. Artistas criaram pastas, maçarocas, amontoados coloridos e pedaços de comida antropomórficos para a nova tabela. A descabida medida de eliminar a grande herança arábica ganhou o respeito dos fariseus e lordes, mas Esqueleto comandou a insurreição contra a mudança. Cabia ao herdeiro de He-Man, conhecido como He-Man 3.0, enfrentar o vilão reacionário. Não houve luta, apesar de o jovem guerreiro mostrar confiança e prepotência. Eles trocaram elogios e conversaram nostalgicamente sobre o auge do príncipe Adam.

Um dia antes, Mateus era o único ser humano sentado no único bar de uma metrópole bombardeada e deserta, cujo único movimento à vista era a água suja escorrendo lentamente em direção ao bueiro.

segunda-feira, 17 de março de 2008

chove

baratas chapadas são menos estúpidas do que pessoas com guarda-chuvas.

domingo, 16 de março de 2008

[vazia]

eu preferia ter perdido tudo
para não ter que ficar reparando
as pequenas perdas.

Carpinejar (não é um verbo)

sexta-feira, 14 de março de 2008

a melhor webdesigner da região de por aqui

Renata Aguiar, essa garota é muito boa. Páreo duro com Fabiane Zambon e Gabriel Gianordoli. Ela que fez a maioria das animações da série das Sete Maravilhas do Mundo antigo, que, no papel, ganhou o Esso.

Na rede ganhou o Eço. Também porque o editor é um suceço, mas o mérito é dela.

Acessem e contratem-na. Aqui!












Se estiver com tempo livre pode clicar aqui também.

slow food não vai à guerra

as moscas e o medo sempre ganham no final. Clica, mané!
Para ver a guerra total, clica no voltar, no fim da página

quinta-feira, 13 de março de 2008

eu não nasci para essa cidade

algo definitivamente interessante na cidade é a fraternidade dos Resendeses, são pessoas tolerantes a qualquer outra religião, hospedando refugiados islâmicos do Iraque em suas celas confortáveis com televisões de LCD (...) A prisão dos islâmicos é defendida pelos militares como uma política de proteção cultural religiosa

o Supermercado Máximo e o Bob's, que são pontos de encontros de todas as gerações residentes lá.

Após 300 anos, as grandes redes de fast-food estão em atividade na cidade desde 2080, sendo isso um grande exemplo de desenvolvimento econômico.

As ruas para trafegar são as melhores em se tratando de recapeamento.

Quando há sinal de guarda municipal, pode apostar que o fluxo anda!

Os buracos de vez em quando aparecem.

Diz a lenda que os buracos estão na calçada esperando sua vez para entrar na rua.

A fabulosa Universidade Estácio de Sá possui um belo campus na cidade de Resende, onde a paciência de seus alunos são testadas por estudantes selvagens e canibais do Espetacular e tradiconal colégio Dom Bosco. As salas de aula possuem cachoeiras que se originam do teto, todavia, fucnionam apenas quando chove. As águas que partem das cachoeiras citadas acima, proporcionam um belo espetáculo ao descerem as escadaria do prédio do campus.

A cidade conta ainda com a inigualável presença de uma espécie rara em todo mundo: A CADETINA (Termo usado na região para definir mulheres que vagam nas proximidades da AMAN como a Olavo Bilac e Bob's para esperarem as suas presas os cadetes).

Um hábito muito comum dessa espécie é somente olharem, namorarem, flertarem, enfim darem exclusivamente para cadetes, visando o futuro salário dos mesmos. Resumindo as cadetinas são uma versão especificamente resendense de mercenárias ou cadetenárias??? O interessante (e particularmente engraçado) é o fim posterior das cadetinas, pois os cadetes dão uns pegas nelas por 4 anos e depois quando vão se formar oficiais dão um fora nelas (pé na bunda) e vão para sua cidade natal casarem-se com suas namoradas.

Com certeza dentre as milhares de atrações turísticas de Resende como o parque das aguás (que por sinal quase não tem água), e a exapicor, que é a unica coisa a se fazer em resende ou hellsende no período de um ano. Isso mesmo, atenção!!! Não perca a exapicor senão só ano que vem pra sair novamente de casa com um destino certo) as cadetinas com certeza estão incluídas na vasta lista de atrações turísticas da cidade de resende.

Deve-se ressaltar neste tópico o explendor e magnifico turismo sexual desta bela cidade, a partir das 20:00 hs é possível encontrar em cada esquina travestis de ótima qualidades, são todos tremendos tri-pés. Esses travestis são exclusivos da cidade só há por aqui.

Resende, na Desciclopédia

verde onde pode ser

Quanto consome uma escada rolante? A mesma energia no sábado à noite em semana de Natal do que na segunda de manhã com um sol escaldante lá fora. Ou seja, elas nunca param, estão à disposição do horário de funcionamento de shoppings, lojas de conveniência, megastores. Não importa se há 250 pessoas por minuto utilizando-as ou apenas uma senhora franzina e seu neto quase gordo trocando os brinquedos que ele não gostou.

Então por que não se fala em escada rolante ecológica, já que desde que sustentabilidade virou moda todo mundo quer tirar proveito disso? Uma escada rolante que funciona como porta automática. Ela é acionada quando necessário. No resto do tempo, fica parada, em vez de completar infinitas voltas ao redor dela mesma sem carregar viv'alma. Andando atrás do próprio rabo inexistente, como um cachorro burro. O problema é que esse cachorro burro não funciona à base de ração.

segunda-feira, 10 de março de 2008

mulher melancia com a mão na massa


Agora com Analytics, só pra imitar o Fred e ganhar alguns acessos do Google. Você mesmo, mané, espera a mina desproporcional do Créu sair na VIP. Ou então lê essas demências aqui. Uhu!

resenhas de uma frase só

Onde os Fracos Não Têm Vez mostra como o Beiçola pode fazer seu coração sufocar a goela - mas esquece a hora de terminar.


Sangue Negro é denso como piche e macho como poeira de saloon - mas também esquece a hora de terminar.

quinta-feira, 6 de março de 2008

god moving over the face of the world

areia fina, branca e fria passeando por entre os dedos do pé ainda mais alvos. uma briga eterna entre pedras e ondas, ouriços e espuma. céu cor de fim. moletom como camisa de força, óculos escuros para se esconder. o último abraço que não houve e Marcos se jogou no vento infinito, e infinito se tornou ao se encerrar ali.

ferro

Depois de acompanhar oito playboys até 1 da madrugada correndo de kart e dormir seis horas para em enfurnar no Google em livros do IBGE para descobrir quantos escravos foram de fato libertados em 1888 (e, sim, quer você queira ou não, a princesa feia e gorda Isabel se empenhou no bagulho. Nas bancas em abril) tenho que lidar com o telefone importunando às 9:
- Alô.
- Por favor o Felipe?
- Eu.
- Fê-e-ê
(putaqueopariu)
Adivinha quem é?
- Não sei.
- Não sabe mesmo?
- Não e estou ocupado.
- É a Cris, bem
- Cris?
- Da academia Fatless!
- Correto.
- E aí, você nos abandonou, é?
- Ah, ando trabalhando muito
- Mas você vem, né?
- Sim, claro. Ainda essa semana.
- Então estamos te esperando
- Oquei.
- Um beijo, lindo
- Até.

Não voltarei lá. Mentir é ótimo para as pessoas pararem de encher o saco.

el silencio

o vazio do silêncio que preenche o ar,
sufoca lágrimas e soluços que
secam e viram fósseis
de um tempo em que
felicidade era simples

e boa e linda e plena
e[]satisfatoriamente

tipo aquele café-da-manhã
na cama, [suspiro não-doce]
hoje plenamente de silêncio


São Paulo, agosto de 2007

terça-feira, 4 de março de 2008

sonhos bizarros dos dias

Cara, tá fogo. Gente de Resende, assassinato à queima-roupa, perseguições, Princesa Isabel, editores, ensaio de fotos, Fernanda Lima, ex-namorada, amigos da Abril, tio da Itália, casamento, batalhas (literais!), gente de São Paulo, Kombi, Hogwarts de García Marquez. Mas não vou contar aqui, não. Se alguém ler, pague-me uma cerveja. Preciso

[ ]

“Florentino Ariza, endurecido de tanto sofrer, assistia aos preparativos da viagem como um morto teria assistido às disposições tomadas para suas exéquias. Não disse a ninguém que ia embora, não se despediu de ninguém, no mesmo hermetismo férreo que só à mãe revelou o segredo de sua paixão reprimida, mas na véspera da viagem cometeu consciente uma loucura do coração que bem poderia ter-lhe custado a vida. Vestiu à meia-noite seu traje de domingo e tocou em solo debaixo do balcão de Fermina Daza a valsa de amor que compusera para ela, que só eles dois conheciam, e que foi durante três anos o emblema de sua cumplicidade contrariada. Tocou-a murmurando a letra, o violino banhado em lágrimas, e com uma inspiração tão intensa que aos primeiros compassos começaram a ladrar os cachorros da rua, e em seguida os da cidade, mas depois se foram calando pouco a pouco graças ao feitiço da música, e a valsa terminou em meio a um silêncio sobrenatural. O balcão não se abriu, nem ninguém assomou à rua, nem mesmo o guarda-noturno que quase sempre acudia com sua lanterna para ver se colhia algum benefício com as sobras das serenatas. O ato foi uma invocação de alívio para Florentino Ariza, pois quando guardou o violino na caixa e se afastou pelas ruas mortas sem olhar para trás já não achava que ia embora na manhã seguinte, e sim que tinha ido embora há muitos anos com a disposição inabalável de não voltar nunca mais.”

sábado, 1 de março de 2008

dramáticos

"Começou com a simplicidade da rotina. O doutor Juvenal Urbino tinha voltado ao quarto, nos tempos em que ainda tomava banho sem ajuda, e começou a se vestir sem acender a luz. Ela estava como sempre a essa hora em seu morno estado fetal, os olhos fechados, a respiração tênue, e aquele braço de dança sagrada sobre a cabeça. Mas estava meio desperta, como sempre, e ele estava sabendo. Depois de longos rumores de linhos engomados na escuridão, o doutor Urbino falou consigo mesmo:
– Faz uma semana que estou tomando banho sem sabonete – disse.

Então ela acabou de acordar, lembrou, e rolou de raiva contra o mundo, porque na verdade tinha esquecido de substituir o sabonete do banheiro. Tinha notado a falta três dia antes, quando já estava debaixo do chuveiro, e pensou em botar o sabonete depois, mas esqueceu o assunto até o dia seguinte. No terceiro dia tinha acontecido o mesmo. Para dizer a verdade, não tinha se passado uma semana, como ele dizia para lhe agravar a culpa, e sim três dias imperdoáveis, e a fúria de ser apanhada em falta acabou de enraivecê-la. Como de costume, se defendeu atacando.
– Pois tenho tomado banho todo santo dia – gritou fora de si – e sempre tem havido sabonete.

Embora ele conhecesse de sobra seus métodos de guerra, desta vez não pôde suportá-los. Foi morar a um pretexto profissional nos quartos de internos do Hospital da Misericórdia, e só aparecia em casa para trocar de roupa ao entardecer antes das consultas a domicílio. Ela ia para a cozinha quando o ouvia chegar, fingindo qualquer afazer, e ali permanecia até escutar vindos da rua os passos dos cavalos do carro. Cada vez que procuraram resolvera discórdia nos três meses seguintes, só conseguiam atiçá-la. Ele não dispunha a voltar enquanto ela não admitisse que não havia sabonete no banheiro, e ela não se dispunha a recebê-lo enquanto ele não reconhecesse ter mentido de propósito para atormentá-la.

É claro que o incidente lhes deu a oportunidade de evocar outros arrufos minúsculos de outras tantas manhãs perturbadas. Uns ressentimentos mexeram em outros, reabriram cicatrizes antigas, transformaram-nas em feridas novas, e ambos se assustaram com a comprovação desoladora de que em tantos anos de luta conjugal não tinham feito mais do que pastorear rancores. Ele chegou a propor que se submetessem juntos a uma confissão aberta, com o senhor arcebispo se fosse preciso, para que Deus decidisse como árbitro final se havia ou não sabonete na saboneteira do banheiro. Então ela, que tão boas estribeiras tinha, perdeu-se num grito histórico:
– Que vá à merda o senhor arcebispo!

O impropério abalou os alicerces da cidade, deu origem a cochichos que não foi fácil desmentir, e ficou incorporado à fala popular com ares de teatro de revista: “Que vá à merda o senhor arcebispo!” Consciente de que havia ultrapassados os limites, ela se antecipou à reação que esperava do esposo, e ameaçou mudar-se para a antiga casa do pai, que continuava sua embora estivesse alugada para escritórios do serviço público. Não era uma bravata: queria ir embora de verdade, sem se importar com o escândalo social, e o marido percebeu a tempo. Não teve coragem para enfrentar seus próprios preconceitos: cedeu. Não no sentido de admitir que havia sabonete no banheiro, pois tria sido um insulto à verdade, e sim no de continuarem morando na mesma casa, mas em quartos separados e sem se dirigirem a palavra. Assim faziam as refeições, contornando a situação com tanta habilidade que se mandavam recados pelos filhos de um ao outro lado da mesa sem que estes percebessem que os pais não se falavam.

Como no escritório não havia banheiro, a fórmula resolveu o conflito dos ruídos matinais, porque ele tomava banho depois de preparar a aula e adotava precauções reais para não acordar a esposa. Muitas vezes coincidiam e se alternavam para escovar os dentes antes de dormir. Ao fim de quatro meses, ele se deitou para ler na cama matrimonial enquanto ela não saía do banho, e pegou no sono. Ela se deitou ao seu lado sem quaisquer precauções, para que ele acordasse e fosse embora. Ele acordou pela metade, com efeito, mas em vez de se levantar apagou a lâmpada da cabeceira e se acomodou no travesseiro. Ela o sacudiu pelo ombro, para lhe lembrar de que devia ir para o escritório, mas ele se sentia tão bem outra vez na cama de penas dos bisavós que preferiu capitular.
– Me deixa ficar aqui – disse. – Tinha sabonete, sim."